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quinta-feira, 23 de julho de 2009

À espera da cegonha


«Andreia Pereira

Em 2008, Cláudia Vieira conseguiu concretizar, finalmente, o sonho de ser mãe. E em dose dupla, já que a presidente da APF teve duas meninas gémeas. Mas, até saborear a maternidade, percorreu um caminho de cinco (longos) anos. Ao fim de seis meses, em que estava a tentar engravidar, "como nada acontecia", decidiu procurar a ginecologista e expor a situação.

Cláudia Vieira e o marido foram submetidos a alguns exames e, umas semanas depois, já sabiam os resultados: em ambos existiam problemas que impediam uma gravidez espontânea. A partir desta altura, recorreu a ajuda especializada e inscreveu-se num hospital público. Teve de aguardar quatro meses para a primeira consulta, até que passados 12 meses foi encaminhada para a realização da primeira microinjecção intracitoplasmática (ICSI): uma técnica usada em casos em que existe um factor masculino de infertilidade.

A presidente da APF conta que conseguiu engravidar duas vezes, uma delas ao final da terceira ICSI e uma outra através de uma transferência de embriões cripreservados. Mas ambas as gestações foram frustradas. "Esta foi outra das situações traumáticas associada ao facto de não poder engravidar", conta. Ainda houve uma quarta ICSI no sector público. Mas, entretanto, como os recursos nestas unidades estatais foram "esgotados", teve de recorrer a uma clínica privada.

Ao fim da quinta ICSI, já no sector privado, conseguiu engravidar. "Obter o resultado positivo era apenas uma etapa vencida, mas nem tudo estava ultrapassado", conta. Foi internada com 25 semanas de gravidez e nem assim se conseguiu evitar que as bebés nascessem às 33 semanas, com apenas 1600gr e 1380gr. Uma das gémeas estava em sofrimento e foi necessário fazer uma cesariana de urgência. "Apesar de terem nascido pequeninas, felizmente não tiveram complicações pulmonares ou infecciosas", afirma.

Cláudia Vieira lamenta o facto de ter tido uma gravidez tão conturbada. Hoje, decorridos 10 meses do nascimento das gémeas, só consegue pensar que é "uma mulher realizada" e que tudo o que passou "valeu a pena". Apesar de não ter usufruído de uma gestação em pleno, a responsável da APF sente-se satisfeita por poder "desfrutar integralmente da maternidade".

Infertilidade tende a aumentar

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), um casal é considerado infértil quando não alcança a gravidez desejada ao fim de um ano de vida sexual contínua sem métodos contraceptivos. "Esta é a explicação de base, embora, em muitas situações clínicas, não seja necessário aguardar este período, porque o diagnóstico aponta um factor impeditivo de gravidez", explica o Prof. João Silva Carvalho, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução (SPMR).

As causas que impedem uma gravidez podem radicar em qualquer um dos membros do casal. "Na mulher, as disfunções endócrinas, do sistema hormonal, os problemas nas trompas e no útero e as infecções transmitidas sexualmente estão entre as principais causas de infertilidade", adianta o especialista. E acrescenta que, no homem, "os factores genéticos ou tóxicos" contribuem para a perda de quantidade e qualidade dos espermatozóides.

Por motivos de ordem profissional e económica, muitas mulheres adiam a decisão de ter filhos para mais tarde, normalmente depois dos 30 anos. Com esta situação, diz João Silva Carvalho, as hipóteses de engravidar vão sendo mais escassas à medida que a idade avança. "A menopausa é a barreira absoluta a partir da qual há um declínio da fertilidade feminina, porque os ovários deixam de funcionar, embora, a partir dos 45 anos, já haja mais dificuldades em engravidar". O mesmo não acontece com o homem, porque "o aumento da idade não prejudica a fertilidade masculina".

Acontece que devido ao estilo de vida actual e à degradação das condições ambientais, "a qualidade dos óvulos e espermatozóides tem sofrido um decréscimo progressivo". E tal situação estará na base do aumento de casos de infertilidade nos próximos anos, segundo a perspectiva do presidente da SPMR.

Tratamentos para corrigir a infertilidade

Antes de se avançar para as técnicas de procriação medicamente assistida (PMA), o primeiro recurso, segundo João Silva Carvalho, são os tratamentos farmacológicos. "Há medicamentos que corrigem as disfunções endócrinas as infecções." Estas disfunções, que em muitos casos se relacionam com a actividade ovárica ou da tiróide, "prejudicam a qualidade da ovulação". Mas, tratando-se de um bloqueio nas trompas ou alguma anomalia do útero, pode, ainda, recorrer-se à cirurgia minimamente invasiva.


Quando estes procedimentos não funcionam, o casal pode recorrer aos hospitais públicos ou ao sector privado para iniciarem os tratamentos de PMA. Estão, actualmente, regulamentadas três técnicas de PMA: inseminação intra-uterina, fecundação in vitro e micro-injecção citoplasmática.

A inseminação intra-uterina é um processo que decorrer in vivo, ou seja, dentro do corpo da mulher. Para se obter bons resultados, faz-se a "estimulação ovárica" e, na altura da ovulação, o concentrado de espermatozóides, recolhido previamente, é colocado no útero da mulher. "Com esta técnica o objectivo é aproximar os dois gâmetas (óvulos e espermatozóides), favorecendo a fecundação", explica o especialista.

Quando existe uma obstrução das trompas de Falópio, a fertilização é desenvolvida in vitro. "Estimulamos os ovários da mulher, recolhemos os espermatozóides do marido e, em laboratório, juntamos os gâmetas feminino e masculino. Após a fecundação, é retirado o embrião e transferido para o útero materno."

Perante um factor de infertilidade masculina, em que os espermatozóides não conseguem fecundar o óvulo, a técnica de micro-injecção citoplasmática (ICSI) é, à semelhança da fertilização in vitro, desenvolvida em laboratório. "Com o auxílio de um microscópio, introduz-se o espermatozóide no interior do óvulo para ocorrer a fecundação."

Estado apoia casais inférteis

Foi recentemente anunciado por parte do Ministério da Saúde o aumento da comparticipação de 37 para 69% dos medicamentos para a infertilidade, particularmente aqueles que são usados na PMA. Esta medida, já publicada em Diário da República, entra em vigor a partir do dia 1 de Junho e permitirá aliviar os encargos dos casais que tentam ter um filho.

Até agora, as técnicas de PMA são totalmente gratuitas para os casais, dentro das unidades estatais com Serviço de Medicina da Reprodução. Para acederem aos hospitais públicos, o casal tem de ser encaminhado pelo seu médico de família. Com esta referenciação do médico do centro de saúde, o casal entra numa lista de espera.

Em Portugal Continental, existem nove unidades com Serviço de Medicina da Reprodução: Centro Hospitalar de Gaia, Hospital de S. João, Hospital de Santo António e Maternidade Júlio Dinis, as três a funcionarem no Porto, Hospital Nossa Senhora de Oliveira, em Guimarães, Hospital de S. Teotónio, em Viseu, Hospitais da Universidade de Coimbra, Hospital de Santa Maria e Maternidade Alfredo da Costa, ambos em Lisboa.

A sul de Lisboa e nas Ilhas não existe nenhuma unidade pública com Serviço de Medicina da Reprodução em funcionamento. Mas está previsto que esta situação seja revista e que, em breve, alguns hospitais disponibilizem consultas de diagnóstico para os utentes inférteis.»

Fonte: Medicos de Portugal
Link:http://medicosdeportugal.saude.sapo.pt/action/2/cnt_id/2734/?textpage=2

quinta-feira, 9 de abril de 2009

SAÚDE FEMININA: ENTENDA A SÍNDROME DO OVÁRIO POLICÍSTICO


«A saúde do sistema reprodutivo é um tema de grande interesse para o público feminino e a Síndrome do Ovário Policístico é um dos assuntos que integram esse universo complexo.


Caracterizada pelo aumento do nível de testosterona no corpo da mulher, a doença tem como principais sintomas a irregularidade menstrual, o surgimento de acne, o aumento da gordura corporal e dos pelos. Frequentemente, ela também se manifesta por meio do aparecimento de microcistos no ovário.

Ainda não se sabe exatamente o que provoca a Síndrome do Ovário Policístico. Acredita-se que talvez algumas mulheres tenham uma tendência genética a desenvolver esse problema. Mas, independentemente de qual seja causa, o fato é que 6 a 8% das mulheres em idade reprodutiva no mundo sofrem com a doença.

Para ajudar a sanar as principais dúvidas acerca do assunto, conversamos com a ginecologista Dra. Rosa Maria Neme, do Centro de Endometriose São Paulo, que respondeu a várias questões sobre Ovários Policísticos.

1. Ovário policístico é a mesma coisa que cisto no ovário?

São duas coisas totalmente diferentes. O ovário policístico é uma alteração hormonal no organismo da mulher, a partir de um desequilíbrio hormonal, com maior produção de hormônios masculinos no corpo da mulher. Ele pode se manifestar com a presença de microcistos no ovário, mas não é esse aspecto que faz o diagnóstico do problema.

O diagnostico do ovário policístico é realizado através da identificação dos sintomas clínicos (acne, irregularidade menstrual, aumento de pilificação) e alteração da dosagem de hormônios masculinos.

Cisto no ovário é qualquer formação preenchida por líquido que aparece no ovário. Pode conter sangue (chamado de hemorrágico), líquido como água (chamado de folicular) ou ainda ser um cisto de endometriose.

2. Ele aparece na adolescência?

Ele pode aparecer em qualquer época da vida da mulher, mas tende a ser mais diagnosticado na adolescência.

3. Espinha no queixo é um dos sinais?

Os sintomas são decorrentes do aumento de hormônio masculino (testosterona) no corpo da mulher. Esses sintomas tendem a ter graus variados de acordo com o grau da doença. Assim, sintomas como acne, aumento da gordura corporal, aumento de pelos, queda de cabelo e irregularidade menstrual são os sintomas mais freqüentes.

4. Mulheres gordinhas e com forte incidência de pelos, principalmente no rosto, têm ovário policístico?

Estes podem ser relacionados a uma característica genética da mulher, mas também podem ser sinais da presença da doença. Exames são necessários para um diagnóstico preciso.

5. O ovário policístico provoca aumento na incidência e na intensidade das cólicas?

Em geral, não. Os sintomas mais frequentes do ovário policístico são a irregularidade menstrual, aumento de acne e pilificação.

6. Ele provoca algum tipo de sangramento?

Não. O ovário policístico, normalmente, pode causar ciclos mensais de anovulação (sem produção de óculos) e, consequentemente, a mulher ficar alguns ciclos sem menstruar.

7. Como é feito o diagnóstico da doença?

O diagnóstico é feito pelo relato da paciente dos sintomas clínicos, associado à presença de dosagens hormonais que mostrem aumento dos hormônios masculinos no corpo. Somente a presença de pequenos cistos ovarianos ao ultra-som não faz o diagnóstico da doença.
8. A Síndrome do ovário policístico leva à infertilidade?

Um dos sintomas da síndrome dos ovários policísticos é a infertilidade. Sabe-se que, devido ao aumento dos hormônios masculinos, a mulher tende a ter uma maior quantidade de ciclos não ovulatórios e uma maior resistência dos ovários aos hormônios que dificulta a produção dos óvulos (desde que não tratada). Por isso, é importante que o diagnóstico seja precoce para evitar a infertilidade.

9. Ela pode atrapalhar as relações sexuais?

Não. A manifestação maior de um quadro de ovário policístico não controlado por muito tempo pode ser a infertilidade. Neste caso, isto acontece pela presença constante do hormônio masculino aumentado e da falta de ovulações, decorrente desta alteração.

10. Pode induzir ao aborto?

Pode favorecer, caso não seja realizado acompanhamento. As mulheres que têm ovários policísticos podem ter uma diminuição da produção do hormônio progesterona pelo ovário, que é o que mantém a gravidez nas suas fases iniciais (insuficiência do corpo lúteo ovariano em produzir este hormônio). Assim, toda mulher que engravide com este diagnóstico, deve receber uma suplementação de progesterona nos primeiros três meses de gravidez a fim de não ter um aumento das chances de abortamento quando comparamos com as mulheres sem a doença.

11. Quem toma anticoncepcional precisa suspender o seu uso após o diagnóstico da síndrome? E no caso de utilização de outros métodos anticoncepcionais, como o DIU?

Não. Inclusive, os contraceptivos orais com medicações que diminuam a produção da testosterona (hormônio masculino aumentado nos casos de ovários policístico) são indicados nesses casos. No caso do uso do DIU, recomenda-se a utilização daquele medicado com progesterona para evitar os efeitos maléficos desta alteração ovariana.

12. O Ovário Policístico pode influenciar no atraso da menstruação? Por quê?

Como dito anteriormente, a mulher que tem esta alteração, tem uma deficiência de ovulação e consequentemente na produção de progesterona pelo ovário. Com isso, ela apresenta uma tendência maior a ter ciclos sem menstruação, podendo às vezes a ficar até seis meses sem menstruar.

13. O ovário policístico pode influenciar no aparecimento de um câncer de colo de útero?

Não. O principal fator causador do câncer de colo de útero é a infecção pelo vírus do HPV. O ovário policístico é uma doença hormonal e, portanto, não tem nada a ver com este tipo de câncer.

14. O uso indevido de algum tipo de anticoncepcional pode levar ao aparecimento do ovário policístico?

Não. Acredita-se que exista em algumas mulheres uma tendência genética a desenvolver este problema.

15. O tratamento é feito apenas com cirurgia?

O tratamento é feito basicamente com medicações hormonais que reduzam os hormônios masculinos, como anticoncepcionais ou medicações mais específicas para isso. O tratamento cirúrgico é reservado apenas às mulheres que não respondem a este tratamento.

16. O tratamento de ovário policístico de ser realizado em conjunto com endocrinologista?

Pode e deve. O endocrinologista pode ajudar no controle não só do problema ovariano, mas também no controle de outras manifestações desta doença, como a obesidade.[14]

17. Após o tratamento, a mulher pode desenvolver novamente o ovário policístico?

Pode sim. Não se sabe exatamente porque o ovário policístico se desenvolve, mas é uma doença que deve ser sempre tratada.»

Fonte:Segs
Link:http://www.segs.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=25660&Itemid=1

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Filhos: O desafio de uma vida (Parte 1)


«Querer um filho e não conseguir é uma dor conhecida de muitos casais. Mas não partilham apenas a dor: partilham também a esperança que depositam na Ciência para vencerem o desafio de uma vida.

O caminho da infertilidade é longo e difícil, repleto de obstáculos, mas também de muita esperança. É um caminho que é percorrido por cada vez mais casais, estimando-se actualmente que entre 15 a 20 por cento da população sofra desta doença.



Muitos sofrem, provavelmente, em silêncio, a crer nos dados que apontam para que em Portugal se façam 250 ciclos de tratamento de Procriação Medicamente Assistida (PMA) por milhão de habitantes, uma média quatro vezes e meia inferior à da União Europeia.



Para aproximar estes valores dos europeus - na ordem dos 1100 ciclos por milhão de habitantes - foi criado o Projecto de Incentivos à PMA. Este plano será aplicado aos hospitais públicos, onde as listas de espera chegam a atingir os dois anos.



A intenção é que o sector público dê resposta a pelo menos metade dos casos, prevendo-se que os restantes sejam encaminhados para o sector privado. Recentemente também foi anunciada a comparticipação a 100 por cento dos chamados tratamentos de primeira linha ((inseminação artificial e estimulação ovárica) e do primeiro ciclo de tratamentos de segunda linha (fertilização in vitro e microinjecção intracitoplasmática de espermatozóide) realizados nas clínicas privadas.



São medidas de que poderão beneficiar os muitos milhares de casais inférteis que se estima existirem no nosso país.







Infertilidade...



São casais com dificuldade em conceber, sendo que a infertilidade se define quando a gravidez desejada não é alcançada ao fim de um ano consecutivo de relações sexuais sem contracepção. É essa a definição da Organização Mundial de Saúde e é essa a base de trabalho para cientistas e médicos.



São muitos os factores que influenciam a fertilidade. Desde logo os mecanismos da reprodução humana. Não são propriamente um simples. Para que aconteça uma gravidez é preciso que tudo corra bem na ovulação e na fertilização. Há um conjunto de acontecimentos que se desenrolam em cadeia, bastando que um elo não funcione correctamente para adiar o momento da concepção.



Na mulher, tudo começa ao nível do cérebro, com a glândula pituitária a enviar todos os meses um sinal para que os ovários preparem um ovo para a ovulação. Essa preparação dá-se por influência de duas hormonas, que estimulam os ovários.



A ovulação acontece, na maioria das mulheres, ao 14º dia do ciclo menstrual, com o ovo a ser libertado pelos ovários e capturado por uma trompa de Falópio. Aí permanece viável por 24 horas, se bem que a melhor altura para ser fertilizado é nas 12 horas seguintes à ovulação. E a fertilização acontece se entretanto um espermatozóide o alcançar. Se esta união se concretiza, o ovo movimenta-se em direcção ao útero, onde se desenvolve a gravidez.



No que ao homem diz respeito, muito pode acontecer no processo de fertilização, mediante o qual um espermatozóide alcança um ovo e o fecunda. Antes de mais é preciso que haja espermatozóides em quantidade suficiente, que possuam a forma e a dimensão adequadas e que se movimentem na direcção certa. E é preciso que haja sémen suficiente para transportar os espermatozóides.

Num homem adulto, o esperma é produzido em contínuo pelos testículos, ficando armazenado até uma ejaculação estar prestes a acontecer. Nessa altura, é transportado até ao canal ejaculatório, onde se junta a um líquido produzido pelas vesículas seminais, o que dá origem ao sémen. No momento da ejaculação, o sémen desloca-se pela uretra até ao exterior, o que, para que uma gravidez seja possível, tem de corresponder à vagina.



São, pois, muitos os elementos em jogo. A fertilidade não é um dado adquirido, nela podendo interferir tanto factores femininos como masculinos, numa relação equilibrada. Casos há em que as causas têm dupla origem e outros em que não são detectadas razões concretas.







Pelo lado feminino



Há um vasto rol de causas da infertilidade feminina, a começar por lesões ou bloqueios nas trompas de Falópio. Devidas normalmente a uma inflamação, como a clamídia, estas lesões impedem o ovo de progredir ao longo da trompa, podendo abrir caminho à sua instalação fora do útero e, assim, dar origem a uma gravidez ectópica, inviável. O risco aumenta com a recorrência das infecções.



Outra razão de infertilidade é a endometriose, caracterizada por crescimento de tecido uterino fora do útero, nomeadamente nos ovários ou nas trompas de Falópio. Este tecido responde ao ciclo hormonal, pelo que sofre as mesmas mutações do tecido que reveste o útero, o que pode originar inflamação.



Dores pélvicas e infertilidade são consequências possíveis. Também as desordens na ovulação podem interferir na reprodução: provocadas por desregulação no funcionamento da glândula pituitária, fazem com que haja deficiências na produção das hormonas que estimulam os ovários. Entre as causas desta desregulação incluem-se lesões a nível cerebral, tumores na pituitária, exercício excessivo e anorexia nervosa.



Causa de infertilidade feminina é ainda a existência de níveis elevados de prolactina, a hormona que estimula a produção de leite. Em mulheres que não estão grávidas, este excesso pode afectar a ovulação, além de que pode indiciar a presença de um tumor na pituitária.



Já o ovário poliquístico tem a ver com um aumento na produção de hormonas masculinas (androgénios), o que acontece sobretudo em mulheres com elevada massa corporal. Em consequência, os ovários revelam-se incapazes de produzir ovos maduros.

Os folículos começam a crescer, mas não amadurecem, acabando por permanecer nos ovários, não havendo ovulação. A ausência de menstruação é, pois, um dos sintomas.


Sem menstruação ficam também as mulheres a quem acontece uma menopausa precoce (antes dos 35 anos). Muitas das vezes desconhece-se a causa, mas sabe-se que doenças auto-imunes, o tratamento do cancro por rádio ou quimioterapia e o tabagismo estão associados a esta falência prematura dos ovários.»




Comum na mesma altura da vida é a existência de tumores benignos (fibróide) nas paredes do útero. Ao interferirem com o contorno do útero, e se bloquearem as trompas de Falópio, podem ser causa de infertilidade. (...)

Continua ...
Fonte: Medicos de Portugal

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Infertilidade secundária pode aparecer depois do primeiro bebê


«Muitos casais que já tiveram filho enfrentam problemas para ter um segundo bebê
Da Redação

Ter engravidado naturalmente uma vez, com facilidade, não é garantia de que o mesmo acontecerá uma segunda vez.

“São comuns os casos de infertilidade secundária, quando um casal não consegue engravidar ou levar uma gravidez até o final, após já terem tido um filho. Esse tipo de infertilidade é tão comum quanto a infertilidade primária, sem ocorrência de gravidez anterior”, afirma o ginecologista especializado em Reprodução Humana Joji Ueno, diretor da Clínica Gera, em São Paulo.

Segundo Ueno, os mesmos fatores que causam a infertilidade primária podem causar a secundária: bloqueio de trompas, endometriose, problemas de ovulação, pouca quantidade ou falta de mobilidade dos espermatozóides, varicocele, entre muitos outros motivos.

Com o passar do tempo, as condições de saúde do casal podem se alterar. “Seja qual for a causa da infertilidade secundária, ela se desenvolveu ou se agravou, após a primeira gestação. Para ter o segundo filho, o casal precisa passar pela avaliação de um especialista em fertilidade”, recomenda o médico.

Ser incapaz de ter um segundo filho pode gerar um estresse enorme para o casal. Muitos acreditam que por terem tido uma primeira gravidez bem sucedida poderão ter outras iguais. Mas isto nem sempre é verdade.

“O importante neste processo é saber o momento adequado de buscar auxílio médico e psicológico”, afirma a psicóloga Luciana Leis, da Clínica Gera, especializada no tratamento de casais que enfrentam problemas de fertilidade.

A infertilidade secundária é definida como a inabilidade de conceber um bebê ou seguir com a gravidez até o fim, após o nascimento de um ou mais bebês. “É uma condição clínica comum”, informa Ueno.

Entre as causas da infertilidade secundária que atinge as mulheres estão desordens ovulatórias, menopausa precoce, aderências pélvicas, inflamação ou infecção, danos ou bloqueios nas tubas uterinas, pólipos, fibroses uterinas e endometriose.

“O risco de abortos espontâneos também aumenta com a idade: a taxa de aborto natural está em torno de 10% para mulheres nos seus 20 anos, 20% para mulheres com idade entre 35 e 39 anos, e cerca de 50% para mulheres com idade entre 40 e 44 anos”, alerta o médico.

Nos homens, as causas principais incluem baixa contagem espermática, motilidade deficiente dos espermatozóides, problemas ejaculatórios ou mesmo a qualidade do esperma.»

Fonte:Abril
Link:http://www.abril.com.br/noticias/ciencia-saude/infertilidade-secundaria-pode-aparecer-depois-primeiro-bebe-393610.shtml

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Os múltiplos aspectos emocionais envolvidos na infertilidade feminina


«A motivação para a criação deste texto partiu da percepção que temos, por meio da prática clínica, da repetição de histórias muito parecidas vivenciadas por mulheres que se deparam com o diagnóstico de infertilidade.A infertilidade, para a Medicina, é a dificuldade de engravidar após 12 meses de tentativas, sem uso de nenhum método contraceptivo.

No entanto, para as pacientes que vivenciam esse problema, a infertilidade está além desta definição, é mais do que isso. Não conseguir gerar um filho com a pessoa amada e não conseguir dar continuidade à família é por demais frustrante e desmotivante.Além disso, a sociedade estipula uma série de etapas a serem cumpridas pelas pessoas. Quando uma delas não é cumprida, aparecem as cobranças e imposições. Assim é se você não namora, precisa “arranjar” alguém; se já namora, precisa casar; e, se já casou, precisa ter filhos...

A imposição dessa ordem linear de acontecimentos colabora para pressionar ainda mais os casais que tentam engravidar. E, se estes não marcarem o seu espaço frente à demanda do outro, pontuando o que os incomoda, para se protegerem, as angústias podem tornar-se insuportáveis.Misto de sentimentosÉ comum perceber, com toda essa problemática, que as mulheres com dificuldade de gravidez começam a se fechar num mundo muito solitário e frio.

Deixam de sair com receio dos comentários alheios, sentem-se inferiorizadas frente às demais mulheres, pouco dividem com seus companheiros sentimentos e pensamentos com medo da rejeição do parceiro e, em alguns casos, abandonam seus empregos para dedicarem-se exclusivamente ao tratamento para engravidar.Com tantas limitações, a infertilidade acaba estando presente em tudo, uma vez que se configura como “não produzir, não criar”.

Se imaginarmos um terreno a ser germinado e colocarmos a infertilidade em apenas uma porção, com o passar do tempo, olhamos novamente este mesmo terreno e percebemos que a porção infértil ocupou uma área maior. Isso não precisa necessariamente ser assim.Percebemos haver uma tendência das mulheres a levarem a infertilidade para outros espaços de sua vida, uma vez que a situação e os fatores a ela relacionados são frustrantes e angustiantes, gerando, principalmente, sentimentos de impotência.Para contornar este período difícil da vida é necessário que essas mulheres consigam “adubar” e “preparar a terra” a fim de que outras produções sejam possíveis, expandindo seus horizontes para além da gravidez.

O processo psicoterapêutico em muito auxilia essa questão. Algumas pacientes engravidaram justamente no momento em que se viam produtivas no trabalho e maduras em sua vida pessoal.Para situações delicadas e singulares como o enfretamento da infertilidade conjugal não existem receitas prontas (para alguma dificuldade na vida existe?); mas, certamente, a busca por essa expansão de interesses trará um sentimento de eficiência e de auto-valorização para essas mulheres, enquanto a gravidez não vem.

Luciana Leis é psicóloga da Clínica Gera e é especializada no tratamento de casais com problemas de fertilidade.»

Fonte:Campo Grande News

segunda-feira, 2 de junho de 2008

A importância de partilhar a luta para ter um filho


«Maria Pereira casou aos 26 anos e começou a tentar engravidar pouco tempo depois. "Eu e o meu marido somos filhos únicos e queríamos uma família grande. Passei mais de um ano sem conseguir até ir à minha médica de família e, só ao fim de quatro anos, fui encaminhada para a consulta da Maternidade Alfredo da Costa", em Lisboa. Hoje, reconhece que, no início, andou "perdida".

O percurso durou nove longos anos até ao nascimento do João Diniz, em 2005. Essa falta de acompanhamento fez com que se juntasse à Associação Portuguesa de Infertilidade, criada em Maio de 2006, para ajudar os casais inférteis.

"Costumava falar com outras pessoas com o mesmo problema num fórum da internet e percebemos que não existia uma associação de doentes quando problema afecta cerca de 500 mil casais." A doença afecta um milhão de portugueses mas é quase invisível.

Para mudar esta situação, a Associação criou um site onde tenta juntar toda a informação útil, e um fórum, que já tem mais de 3500 utilizadores e 170 mil mensagens. Através do fórum, é fácil chegar a vários blogues que têm como tema o desejo de ter um filho.

"Sonho ter um filho"

Susana Pina criou o blogue "Sonho ter um filho" há dois anos, depois de 16 a lutar contra a infertilidade. "Vivi mais de uma década sem falar praticamente com ninguém sobre este problema. Mesmo na sala de espera das consultas, e fui a muitas, as pessoas não falavam umas com as outras", conta. "Nem sequer tinha acesso a informação. Nesse aspecto a internet foi uma benção. Depois de ter engravidado e perdido as bebés senti necessidade de falar e foi por isso que criei o blogue."

Anna Pires, outra das fundadoras da Associação, conta que os blogues sobre a infertilidade são um fenómeno a nível internacional. Alguns, já se transformaram em livros. "Acaba por ser uma espécie de diário. Além de ser um escape fantástico, é a forma das pessoas seguirem o tratamento uma das outras." Para Susana, foi a melhor coisa que lhe "podia ter acontecido". "A resposta tem sido extraordinária. Mesmo que nunca consiga ter um bebé, sinto que ajudei muita gente."

Dar a cara

Há cerca de um ano, as fundadoras da Associação sentiram que havia a necessidade de saltar do mundo virtual para o real e dar a cara, uma coisa que nem sempre é fácil porque a infertilidade ainda é uma doença "muito escondida", explica Anna. Foi assim que nasceram os grupos de apoio. A primeira experiência foi em Braga e os resultados foram encorajadores.

Anna Pires, que agora é a coordenada nacional dos Grupos, juntou-se com a psicóloga Matilde Catalão para elaborar um manual de princípios, fizeram um workshop para as interessadas e agora já existem cinco a funcionar. Os grupos são coordenados por pessoas que tenham um historial de infertilidade, ou seja, não são grupos terapêuticos, são para trocar informação e partilhar experiências. "Tem sido absolutamente fantástico. Os grupos tornaram-se um oásis no deserto da infertilidade," diz Anna.

Maria Pereira é uma das coordenadoras do grupo de Lisboa. "Às vezes as pessoas choram, outras vezes rimos." Apesar das mulheres estarem em maioria, algumas trazem os maridos. "Há ideia que a infertilidade afasta o casal, mas às vezes aproxima, porque há um objectivo comum. Mas os homens falam menos, isso não há dúvida." Quando o grupo começou a funcionar, o filho de Maria, João já tinha quase três anos. Nasceu em 2005, depois de nove anos de tentativas, tratamentos no privado e no público. Agora, Maria tem 38 anos e corre contra o tempo para dar um irmão ao João Diniz.»

Fonte:Diário de Notícias
Link:http://dn.sapo.pt/2008/06/01/sociedade/a_importancia_partilhar_a_luta_para_.html

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Especialistas prevêem fim da infertilidade em 30 anos

«O Globo Online

RIO - A infertilidade terá fim. É nisso que acredita Davor Solter, do Instituto de Biologia Médica de Cingapura. Trinta anos depois do nascimento de Louise Brown , o primeiro bebê de proveta do mundo, especialistas em reprodução assistida afirma que mais trinta anos de pesquisa e os casais estéreis não terão qualquer impedimento de realizar o sonho de gerar um bebê. Os avanços da tecnologia oferecerão novas possibilidades de gestação, além de baratear a reprodução assistida, como mostra reportagem publicada hoje no Globo.

Segundo Solter, o uso de células-tronco vai permitir a qualquer pessoa ter um descendente em qualquer momento de sua vida, isso inclui recém-nascidos e centenários.

Diretor do Centro de Ética da Universidade Estadual de Oklahoma, Scott Gelfant, também prevê gestações fora de úteros em equipamentos que reproduzirão as condições intra-uterinas.

Os especialistas também concordam que a clonagem não está muito distante, mas por questões éticas será restrita. A seleção de embriões, porém, deve transpor as barreiras éticas. Atualmente, já é possível escolher o sexo do bebê e estimar os riscos de a criança desenvolver 200 doenças. »

Fonte:O Globo
Link:http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mat/2008/07/16/especialistas_preveem_fim_da_infertilidade_em_30_anos-547280831.asp

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Tratamento de infertilidade menos intensivo


«Resultados são melhores, dizem cientistas

Tratamentos de infertilidade menos intensivos podem resultar na obtenção de embriões de qualidade genética superior aos dos tratamentos convencionais e até em maior número de gravidezes bem sucedidas.

Esta é a conclusão surpreendente de um estudo realizado por médicos e investigadores da universidade holandesa de Utrecht, que poderá levar no futuro à adopção de tratamentos de infertilidade mais leves, que serão também mais económicos, já que não necessitam de tanta medicação hormonal.

Os tratamento hormonais convencionais na reprodução medicamente assistida são feitos na mulher para a obtenção de algo como 12 óvulos. Estes são depois inseminados artificialmente e os melhores são escolhidos para serem implantados no útero da mulher. A sequência feliz é uma gravidez de sucesso.

No estudo agora realizado, a equipa de Utrecht, coordenada pela embriologista Esther Baart, aplicou um tratamento hormonal menos intensivo a um grupo de cem mulheres, a fim de comparar os resultados com outro grupo, de igual número de mulheres, sujeito ao tratamento de estimulação convencional.

No grupo que recebeu o tratamento menos intensivo, obtiveram-se na mesma entre oito e 12 óvulos após a estimulação ovárica.

A grande vantagem deste tratamento alternativo, de acordo com a líder da equipa, citada pelo diário britânico The Guardian, é que as mulheres correm muito menor risco de desenvolver um problema potencialmente fatal, designado por síndrome de hiperestimulação ovárica.

Na análise dos embriões, obtidos por um e por outro método, a equipa de Baart descobriu, por outro lado, que o tratamento alternativo e menos intensivo permite obter menor número de embriões com problemas genéticos. O estudo mostrou que 73% dos embriões obtidos através do tratamento convencional tinham defeitos genéticos, enquanto nos embriões resultantes do tratamento alternativo essa taxa era de 55%. Os resultados foram apresentados ontem num encontro científico, em Londres.»

Fonte:Diário de Notícias
Link:http://dn.sapo.pt/2008/04/11/ciencia/tratamento_infertilidade_menos_inten.html

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Sorvete aumenta a fertilidade, diz pesquisa


«RIO - Mulheres que estão tentando engravidar podem sucumbir a uma bela taça de sorvete, sem qualquer culpa. Um estudo do Departamento de Nutrição da Escola de Saúde Pública de Harvard, nos Estados Unidos, concluiu que trocar o leite integral e os gelados por leite desnatado e iogurte não é um bom negócio para quem quer ter um bebê.

Jorge Chavarro, coordenador da pesquisa, acompanhou por oito anos 18.555 mulheres entre 24 e 42 anos sem dificuldades para engravidar. A cada dois anos, elas tinham de responder se haviam tentado ter um filho, se essas tentativas já duravam mais de um ano e, em caso de dificuldade, se sabiam a razão. Além disso, as voluntárias forneceram informações sobre seus hábitos alimentares.

Ao fim dos oito anos, eles constataram que 438 mulheres não conseguiam engravidar por problemas de ovulação. Os resultados mostraram que as mulheres que consumiam diariamente pelo menos duas porções de laticínios desnatados tinham 85% mais chances de terem dificuldade de ovular do que aquelas que consumiam produtos "magros" menos do que uma vez por semana.

Segundo os médicos e nutricionistas, o risco de infertilidade cai 27% entre as mulheres que consomem produtos integrais uma vez por semana. Isso ocorre mesmo levando-se em conta outros fatores de risco como idade, índice de massa corporal, calorias consumidas por dia, atividade física, tabagismo, alcoolismo ou utilização de um método anticoncepcional.

Comer uma porção de produto desnatado por dia aumenta em 11% o risco de ter problemas para ovular, desde que não se altere a quantidade total de calorias ingeridas por dia. Por outro lado, consumir uma porção diária de laticínios integrais - um copo de leite, por exemplo - diminui o risco de infertilidade em 22%. As mulheres que tomam sorvetes cremosos duas vezes por semana têm risco de esterilidade 38% menor do que aquelas que não se permitem nem uma casquinha por semana.

A explicação dos pesquisadores é de que a gordura do leite tem substâncias que melhoram o funcionamento dos ovários.»

Fonte: O Globo
Link: http://oglobo.globo.com/saude/vivermelhor/mat/2007/03/05/294801485.asp

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Teste nos ovócitos melhora a reprodução assistida


«Por toda a Europa, as taxas de infertilidade estão a aumentar. Entre 12 a 15% dos casais em idade reprodutiva sofrem de uma forma ou outra de infertilidade. Apesar dos progressos feitos ao nível do tratamento, apenas 25 a 27% dos embriões implantados resultam num nascimento bem-sucedido. Para ter os seus dois filhos por fecundação in vitro, Charlotte passou por um processo desgastante:

“Comecei aos 25 anos. Ao final de um ano fiz um balanço. 2 anos depois de ter parado com a pílula comecei a fazer inseminações. Fiz 6 inseminações no total e depois passei à fecundação in vitro. E aí, tive de fazer 3 fecundações in vitro para, por fim, ter a alegria de um resultado positivo. Psicológicamente foi muito desgastante”.

Muitas vezes, os médicos não conseguem explicar porque é que os embriões são implantados com sucesso ou não.
Compreender porque é que tantos embriões são rejeitados seria um passo muito importante para melhorar os tratamentos de fertilidade.

Para ajudar pessoas como Charlotte, foi lançado em 2004 o programa europeu EMBIC (Embryo Implantation Control) para melhorar a tecnologia de reprodução assistida. A investigação está a ser conduzida no laboratório de imunologia Centro Polivalente Cubo na cidade de Florença, em Itália.

Para testar a compatibilidade dos embriões com o útero o mais cedo que for possível, o líquido folicular em torno dos óvulos é analisado numa máquina, a Luminex, capaz de ver a composição deste líquido a partir de uma amostra minúscula.

Dra. Marie-Pierre Piccini, investigadora no laboratório de imunologia Centro Polivalente Cubo:
“Descobrimos que no líquido folicular há uma molécula presente chamada G-CSF. Sabemos que o ovócito deste líquido folicular irá implantar-se. Portanto é um novo bio-marcador, o único que conhecemos até agora, que permite seleccionar o ovócito com o mais alto potencial de implantação”.

Graças a este aparelho de análise, e a este marcador descoberto no líquido que rodeia o óvulo, os cientistas são capazes de determinar a capacidade de um embrião ser implantado com sucesso num útero. Segundo a equipa do EMBIC, este avanço permite calcular a probabilidade de sucesso de uma implantação. Os resultados são muito positivos nas fecundações in vitro: os riscos de gravidez múltipla foram reduzidos e sabe-se à partida a probabilidade que os ovócitos têm de ser implantados com sucesso.

Dra. Nathalie Lédée, ginecologista: “Este teste irá permitir-nos saber que mulheres não necessitam de uma híper estimulação dos ovários e pode dar-nos pistas importantíssimas para as mulheres, porque elas vão saber à partida as reais possibilidades de terem um bebé saudável. Por isso, é muito importante”.

Este teste para determinar a compatibilidade do ovócito com o útero estará pronto dentro de pouco tempo. Desta forma será possível evitar a utilização de embriões não viáveis nas fecundações in vitro. A aplicação desta investigação da EMBIC vai permitir aumentar as taxas de sucesso nos tratamentos de fertilidade e simultaneamente reduzir o número de tratamentos de fecundação, o que naturalmente irá reduzir o desgaste para a mulher normalmente associado à reprodução assistida.»

Fonte:Euronews
Link:http://pt.euronews.net/2009/09/01/teste-nos-ovocitos-melhora-a-reproducao-assistida/