terça-feira, 29 de julho de 2008

Nutrição Infantil


«Dra. Henedina Antunes
Data: 2008-07-27

A alimentação no 1ºano de vida e na grávida tornou-se essencial pela vulnerabilidade do cérebro humano nos seus primeiros tempos de vida. A grávida não deve comer peixes de águas profundas, mais sujeitos a contaminação com metais pesados, como o vulgar atum, de forma frequente.

Do ponto de vista prático, quanto mais pequeno for o peixe menor o risco.

No 1º ano de vida, a OMS aconselha o aleitamento exclusivo até aos primeiros 6 meses. A OMS tem curvas de crescimento, só de crianças amamentadas, obtidas de 17 países diferentes e o crescimento é semelhante.

Por isso, quando as crianças seguem o aleitamento ideal, leite materno, até aos 12 meses e, exclusivo, só leite, até aos 6 meses crescem iguais em todo mundo. Uma lição de igualdade dada pela nutrição infantil.

Estas são as curvas que nos deverão guiar, também em Portugal.

Inicialmente as fórmulas infantis preocupavam-se em ter muita proteína. Os bebés ficavam com pregas de deposição de gordura.

Trabalhos prospectivos, nomeadamente nos EUA, parecem mostrar que lactentes, que são os bebés dos 29 dias aos 12 meses, que nascem com informação de pouco alimento disponível, chamados de restrição de crescimento intra-uterino (RCIU), com menos peso do que a sua idade gestacional, quando nasciam e aumentavam rapidamente de peso tinham maior risco de ter tensão arterial elevada (TAE) em adultos, e, também, os que têm sal acrescentado à alimentação no 1º ano de vida.

Tanto a TAE como a obesidade, são factores de risco para enfarte do miocárdio e acidente vascular cerebral. Tal como o sal, o açúcar também não deve ser acrescentado aos alimentos, pelo menos durante o 1º ano de vida.

O aporte de ferro e de ácidos gordos poliinsaturados de cadeia longa (LC-PUFAs) no 1º ano de vida, estes últimos sobretudo necessários nos prematuros que rapidamente perdem as suas reservas, são importantes para o funcionamento do cérebro.

Os LC-PUFAs não são necessários só em termos de formação do cérebro e retina, pensa-se que a sua manipulação na proporção correcta pode ajudar na tolerância imunológica, ou seja, não reagirmos aos alimentos de forma a considerá-los estranhos e a termos alergia.

Lactentes portugueses sem problemas de saúde e cumprindo as recomendações europeias de alimentação do lactente ainda tinham aos 9 meses 19,4% de anemia por deficiência de ferro (ADF) e 39,3% deficiência deste metal.

É consensual que crianças com ADF, têm atraso de desenvolvimento quando da anemia. Mas até 8 anos depois ainda se encontram subtis alterações do desenvolvimento nestas crianças portuguesas pelo que se deve prevenir estas situações enriquecendo com ferro todas as fórmulas infantis, o que já é obrigatório na Comunidade Europeia, ou dar suplemento de ferro nas crianças que dele necessitem, como grande percentagem dos que estão a ser amamentados exclusivamente.

O leite materno é o ideal para o bebé mas não é perfeito, é pobre em ferro e vitamina D. Tal como o amor da sua vida!»

Fonte:Médicos de Portugal
Link:http://medicosdeportugal.saude.sapo.pt/action/2/cnt_id/2058/

1 comentário:

Rosa Maria disse...

Não concordo com esta ultima frase, a vitamina D é facilmente sintetisada pelo bebé, basta coloca-lo debaixo de ceu azul alguns minutos por dia.
Quanto ao ferro posso afirmar por experiencia propria que isso que foi dito é mentira. Depois do nascimento do meu filho tive uma anemia grande, os meus valores de hemoglobina desceram para 6.4, o que me valeu duas transfusões de sangue, fizeram igualmente analises ao pedro e ele mostrou valores normais, não estava nem um pouco abalado pela minha condição fisica. O meu leite deu-lhe o ferro que ele precisava, mesmo tendo eu muito pouco para mim.

Uma alimentação cuidada para quem amamenta é fundamental para a produção de leite com qualidade.