sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Onde pára a libido depois de nascer um filho?


«A falta de apetite sexual na mulher é muito frequente no período pós-parto, sendo um fenómeno muito comum no primeiro ano de vida do bebé. Não são lineares os motivos porque isso acontece mas decorrem, provavelmente, duma miscelânea de factores que estão associados à gravidez e ao parto.

O stress do nascimento

O nascimento de um filho é um acontecimento que interfere na dinâmica de qualquer relação amorosa, na medida em que tem um enorme impacto na vida quotidiana do casal.

Provavelmente, ninguém está completamente preparado para lidar com as pequenas e grandes interferências que lhe estão implícitas, sobretudo num primeiro filho. E ainda estão menos porque, na maioria dos casos, o filho era desejado.

E, desse modo, quase ninguém se prepara para os efeitos colaterais de stress que um acontecimento positivo pode ter.



Socorro, sou Mãe!

Vai exigir uma grande mobilização de tempo para cuidar do bebé e, pelo menos nos primeiros tempos, essa tarefa vai recair, no essencial, sobre a mulher. No tempo presente, é raro ter, de forma regular, a ajuda de familiares, nos cuidados que tem que prestar ao filho, completamente dependente da sua assistência.

Esta situação muitas vezes, provoca estados de fadiga física e psicológica, assim como perturbações do sono, sobretudo se o bebé também as tem, que diminuem claramente a disponibilidade para interagir sexualmente.

No plano biológico, a gravidez provoca desequilíbrios nas hormonas sexuais que podem interferir no desejo sexual e que só retornam ao equilíbrio, ao longo do ano que se segue ao parto.

Está ainda por esclarecer completamente esse papel, na medida em que a sua influência é variável de mulher para mulher, ou seja, nalgumas mulheres a interferência é clara, enquanto noutras não se regista qualquer alteração.

Para além do stress inerente ao ingresso do bebé na vida quotidiana do casal, as alterações hormonais e, possivelmente, na dinâmica dos neuro-mediadores cerebrais podem levar a mulher a sofrer de depressões variadas, quanto à sua expressão e intensidade.

Mesmo os estados depressivos mais ligeiros podem interferir negativamente no desejo sexual, sobretudo, como é o caso, se estiverem associados a outras tensões emocionais.



Falta de tempo

No domínio da dinâmica relacional, a relação é também alterada porque o bebé vem preencher uma parte do tempo que tinham um para o outro.

Se não tiverem atenção, a partilha de sentimentos e de emoções pode desaparecer completamente, uma vez que é substituída pelo conjunto de funcionalidades, derivadas da necessidade de cuidar do bebé.

Em paralelo, o facto de o homem não sofrer alterações significativas no desejo sexual também pode envolver problemas relacionais, sobretudo quando a mulher apresenta uma diminuição significativa na disponibilidade para interagir sexualmente.

Outras experiências de prazer, tantas vezes associadas ao prazer sexual, são igualmente relegadas para segundo plano. Acabam as saídas à noite, os fins-de-semana num local aprazível ou romântico, as idas ao cinema, ao teatro, aos concertos.

Mesmo as relações de amizade são perturbadas porque, mesmo que os encontros continuem a acontecer, são mais espaçados e menos agradáveis, porque uma parte do tempo acaba por ser gasto em torno dos cuidados do bebé.

É por isso que um casal, quando tem a felicidade de ter um filho, tem que se esforçar por encontrar soluções que lhes permitam limitar algumas das renúncias que o nascimento de um filho sempre implica.

Fonte: Saúde Semanário»

1 comentário:

Helena Freitas disse...

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